Estamos a espera por reparação quatro anos após a tragédia de Mariana

Postado por Cidadã FM em 06/nov/2019


– Estamos a espera por reparação quatro anos após a tragédia de Mariana informa o site alemão de notícias  Deutsche Welle Brasil- 

Dos mais de 100 mil atingidos por rompimento de barragem, menos de 10% foram indenizados.

– Enquanto moradores manifestam problemas de saúde e aguardam reassentamento, Samarco recebe luz verde para voltar a operar.

– A resposta para as feridas na pele só chegou para Eliane Balke, pescadora de São Mateus, Espírito Santo, quase quatro anos depois dos primeiros sintomas. Um exame apontou a presença elevada de arsênio em seu organismo –substância que, além de feridas, pode provocar danos a órgãos vitais, câncer e pode matar.

– Balke, filha e neta de pescadores, está entre as 5 mil famílias somente do município de São Mateus atingidas pelos rejeitos que vazaram da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015.

–  O rompimento da estrutura da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, destruiu povoados e contaminou o rio Doce, em Minas Gerais, até chegar ao mar, no Espírito Santo. Dezenove pessoas morreram na tragédia.

– Balke fez parte do grupo de 300 voluntários que participaram de um estudo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP).

– Exames detectaram arsênio em 298 deles, 79 apresentaram taxas elevadas de níquel, e 14, de manganês, segundo documento entregue aos participantes pelos pesquisadores. As análises foram conduzidas pelos professores Ana Paulelli e Fernando Barbosa.

– A provável fonte de contaminação está na lama, que comprometeu o manguezal de onde Balke tirava 25 dúzias de caranguejo por dia, além de mariscos e peixes.

– “Continuei pescando até o fim de 2016, um ano depois de os rejeitos terem chegado aqui”, conta Balke. “Para nós, das comunidades tradicionais, os impactos estão na água, na saúde, no trabalho, na mudança do modo de vida e no meio ambiente.”

– A 170 quilômetros dali, na Terra Indígena Caieiras Velha 2, em Aracruz (ES), as reclamações são parecidas. “Os peixes foram embora, e temos medo de comer quando conseguimos pescar”, disse à DW Brasil o cacique Carai Iperu. “Tiraram nossa liberdade”, comenta sobre o receio de pescar no rio Piraquê-Açu.

-Iperu afirma que a Fundação Renova – constituída em março de 2016 e responsável pela mobilização para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão – tentou omitir resultados de coletas de peixes feitas na área.

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